quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008



SINCERAS E AMOROSAS RELAÇÕES HUMANAS

Nós humanos somos seres sociais e sentimos uma enorme necessidade de ficarmos juntos, mas estamos sempre entrando em atrito com as idéias, costumes e crenças dos outros, não é mesmo? Na verdade, é através desta constante fricção que surgem as fagulhas que despertam a nossa consciência para o nosso verdadeiro Eu.

Vocês já perceberam quando alguém se inflama ao defender seu ponto de vista, mas está completamente fechado para o ponto de vista alheio? Parece até que vai explodir, não é mesmo? Com certeza esta pessoa ainda não tem consciência do seu verdadeiro papel como parte de um Todo e acredita apenas na sua própria verdade.

Essa forma de auto-afirmação é bastante corriqueira durante a adolescência, mas com o tempo isso deveria dar lugar a um sentimento mais maduro de confiança em si mesmo e no outro. Pelo contrário, temos visto pessoas sustentando verdades que elas mesmas criam, talvez para justificar seus próprios erros, não aceitando de jeito nenhum o que os outros têm a dizer, julgando-os como estando errados e se fechando para o entendimento, impossibilitando assim um bom relacionamento.

Realmente temos muitas dificuldades para enxergar os nossos defeitos e as nossas falhas de caráter, porém chegamos num nível de aprendizado onde é preciso lidar com esse tipo de decepção, aceitando o nosso ser e o do outro com as suas limitações, mas também com uma grande capacidade de transformação e renovação. Podemos perceber que os conflitos entre as pessoas são o resultado de mentes egoístas, dualistas, que exaltam apenas as personalidades, (que são normalmente diferentes, pois foram naturalmente influenciadas pelo meio ambiente, pela genética, por condições kármicas, etc.) sem se aprofundarem na sua essência, que de fato é a mesma.

Precisamos aprender a ver o outro como um professor. A convivência é uma das provas espirituais mais difíceis e só pode ser vencida através de humildade, paciência, da compreensão dos nossos limites e os dos outros também. Precisamos aprender com o reflexo do outro, vendo-o como uma metáfora de nós mesmos, entendendo que não sabemos tudo enquanto personalidades, pois somente o Eu superior é sábio e ele só pode ser acessado através da observação profunda e constante. Um bom exercício é espantar o orgulho e questionar sempre quais são os sentimentos que as pessoas despertam em nós e o que isso significa para o nosso crescimento, ou seja, quais são as suas características que nos incomodam, fazendo uma auto-análise e considerando a possibilidade de as termos também de uma forma sutil.

É mais fácil aceitar os nossos erros e os dos outros quando compreendemos que durante a nossa caminhada espiritual passamos por vários níveis de entendimento e que cada um de nós tem um ritmo próprio. Somos humanos em evolução e só podemos compreender certos princípios espirituais na medida em que vamos tomando Consciência. É perfeitamente normal errarmos durante esse processo e o discernimento entre bem e mal*, certo ou errado, só vem com o amadurecimento espiritual.

Também é importante saber como os outros se sentem em relação a nós, acatando com humildade as suas observações e críticas, meditando sobre as suas considerações e sempre tendo como meta melhorar sempre. Sabemos que não podemos impor uma transformação ao outro, podemos sim, nos transformarmos positivamente ativando assim uma bela transformação em cadeia. Podemos exteriorizar a nossa Luz interior sendo pacíficos, compreensivos e altruístas, nos doando amorosamente sem nenhuma expectativa.

Amar é um verdadeiro exercício de abnegação do ego e quando entendemos isso de forma complexa, fica bem mais fácil compreender o outro e aceitá-lo. Enquanto estivermos prisioneiros das nossas próprias crenças e idéias não temos condição de dar espaço para perceber o quanto o outro pode ser a solução para as nossas dúvidas em relação a nós mesmos. O medo de nos perdermos e deixarmos de ser o que pensamos ser, nos fecha e nos cega como uma forma ilusória de proteção. É comum nos afastarmos justamente daqueles que são potencialmente chaves para a nossa libertação, culpando-os da sensação de mal estar que nos causam; sendo que isso de nada adianta, pois estaremos sempre sendo colocados diante de pessoas com essas mesmas características atraídas pelo nosso karma.

Só quando compreendemos o que a convivência com alguém nos ensina, podemos nos afastar se assim o desejarmos, aceitando-o, perdoando-o e seguindo adiante, conscientes e prontos para encararmos novas provas.

A aceitação consciente de que o outro é Luz, faz com que automaticamente ao irradiarmos Luz para ele, através de ressonância ele irradie Luz para nós também. Precisamos compreender que o Amor que nos comanda, mesmo que sejamos inconscientes disso ainda, atua sempre de forma evolutiva, e que todas as relações humanas têm um propósito: a consolidação do Amor em todos os níveis. Sinceras e Amorosas Relações.

* Tenho ouvido falar que o bem e o mal não existem, que são apenas conceitos criados por religiões ou sistemas de governo ou ainda que são apenas criações mentais. Bem, existem leis que sustentam o universo, que ao contrário do que a maioria pensa, não é caótico, tem causa e propósito e que as ações que afetam a sua harmonia são consideradas negativas. Explicando: o resultado de uma ação ou pensamento que leva à involução, ou melhor, à desarmonia, é considerado "mal" e tudo o que leva à evolução e à Harmonia, consequentemente, é "bem".

No Amor e na Luz,
Márian

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008


SILÊNCIO

Exercitar o Silêncio é deveras bem difícil, não é mesmo?


Muitos de nós falamos às vezes de forma descontrolada e impensada, deixando que os nossos sentimentos que nem sempre são positivos se materializem. Quando fazemos isso, sem querer estamos dando força a eles, tornando-os mais intensos e difíceis de serem resolvidos.


A maioria das pessoas fala sem nenhuma consciência, não tem paciência para ouvir o que os outros têm a dizer, aliás, não sabe escutar nem o próprio coração, pois como o Eu Superior não passa a mão na cabeça, geralmente as suas respostas são difíceis de aceitar. Gostam de ouvir apenas que estão sempre com a razão, que são perfeitos, que são vítimas, etc. e tal. A verdade é que enquanto não mergulharmos no silêncio estaremos sempre alimentando a nossa mente egóica e imatura que teima em se impor não apenas a nós mesmos, mas aos outros como uma forma de se afirmar, misturando verdades e mentiras e tornando a fala apenas um espelho da personalidade e não a sabedoria interior que sempre partilha o conhecimento eterno.

Precisamos entender que somos silêncio consciente em nossa mônada, espelho do Todo sapiente; somos o Silêncio Cósmico, eloqüência do Sagrado. O contato com este silêncio abre o nosso coração e nos dá a constatação de que nada pode ser acrescentado, que no nosso âmago estão todas as respostas que precisamos para seguir em frente e sermos banhados pela graça. Este é o despertar cósmico e cura para todo o sofrimento.
O trabalho da meditação Soluz foca sempre a necessidade de estarmos em contato profundo com o nosso Eu através da meditação, do Silêncio. A meditação no silêncio nos torna mais atentos e treinados para que quando o nosso ego tentar nos afastar do nosso centro pacífico, ele seja imediatamente identificado e pesquisado com profundidade e seriedade antes de se exprimir na fala. Não podemos ser dependentes da experiência interna do outro, precisamos fazer as nossas próprias descobertas, pois enquanto formos escravos da nossa mente agitada não seremos donos do nosso próprio nariz, seremos sempre subordinados as influências externas.

A troca de informações teóricas é importante apenas para confirmar o que o nosso Eu nos diz, pois a verdadeira sabedoria está no Silêncio, na União com o Todo.
Aprendamos então a silenciar a mente e a ouvir o nosso SAGRADO EU.

Namastê,

Márian