quinta-feira, 1 de maio de 2008



CULPAR, JULGAR, CONDENAR...


Mais uma vez nos deparamos com a notícia de um crime bárbaro cometido contra uma criança, símbolo da inocência e da esperança. Infelizmente crimes cometidos contra os pequenos acontecem todos os dias, mas não são divulgados com tanta amplitude pela mídia como esse que teve como vítima a menina Isabella. Percebemos aí um interesse maior da população em relação a pessoas com posses ou com formação acadêmica ou ainda por quem tem fama.

Pior ainda é essa urgência extrema para se encontrar um culpado, o que pode acarretar enganos e tropeços que podem vir a se tornarem manchas permanentes na honra e integridade dos envolvidos.

Observamos que a maioria das pessoas antes mesmo de conhecerem a verdade, afirmam ter absoluta certeza de quem são os culpados baseados apenas em impressões pessoais e informações nem sempre confiáveis divulgadas pela mídia. Elas perguntam como é possível que os pais, aqueles cujo dever devia ser o de proteger os filhos assumam o papel antagônico de seus algozes, mas não aguardam as respostas, apontando, dirigindo xingamentos, e se deixarem, até mesmo atacando fisicamente os suspeitos, cometendo a mesma violência que condenam.

Triste...

Estamos mesmo vivendo um momento crítico onde a violência não se limita mais às guerras, ela está ao nosso lado, bem próxima de nós. Os princípios humanos foram perdidos e o mundo se encontra à beira do caos, onde reina o egoísmo, o desrespeito e a falta de caridade. Parece que uma loucura generalizada tomou conta das pessoas e todos os parâmetros que definem certo ou errado foram totalmente distorcidos. Por exemplo, calúnia e difamação são outras formas de destruir alguém e hoje é comum vermos pessoas usando desses ardis, pisando umas nas outras apenas para conquistar o que desejam; uma luta inglória onde o resultado é uma contínua frustração.

No caso da menina Isabella, o que mais me deixa abismada é a raiva de algumas pessoas ao julgarem e condenarem os suspeitos antes mesmo de ser provada a sua culpa. Sinto que essas pessoas têm uma necessidade enorme de acusar alguém, não por justiça, mas por ter um ódio mascarado em relação ao mundo, à vida e aos outros que nem mesmo elas sabem. No caso de um linchamento, será que elas estão mesmo interessadas em fazer “justiça” ou elas estão apenas deixando vir à tona a raiva e o recalque, descarregando as suas mágoas em alguém emocionalmente desconhecido para elas. Isso mesmo, projetam todos os seus sentimentos de revolta criados pelos seus fracassos em pessoas desconhecidas.

Bem, meditando a respeito buscamos respostas para esses acontecimentos e a espiritualidade nos ensina que existem vários níveis de consciência onde muitas almas estão nos planos primários da linha evolutiva e ainda não têm a compreensão de que estão fazendo mal a si mesmas quando causam sofrimento ao outro. É preciso entender que existem leis universais cuidando para que a harmonia reine e que a lei do karma não falha. Adiante na linha do tempo as pessoas passarão por provas que lhes trarão a oportunidade de reconhecerem seus erros e se redimirem.

Precisamos observar sem julgar, esperando que a verdade venha à tona, desejando que as pessoas que cometeram o crime se arrependam e compreendam o sentido daquilo que fizeram.

Mesmo diante de tanta barbárie devemos nos manter serenos, sendo misericordiosos e compreensivos com os ignorantes ou como diria Chico Xavier, com os inexperientes, pois estes estão dando os primeiros passos e, portanto são passíveis de tropeços. Torçamos para que a Justiça dos homens seja realmente justa e que o verdadeiro culpado apareça, seja ele quem for, que assuma o seu erro e de alguma forma o sane.

Meditar sobre o que isso pode nos trazer como lição é sempre o mais importante.

No Amor e na Luz,
Márian